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Critica ao croqui da Praça da Liberdade

O croqui realizado por Alice Ramos na Praça da Liberdade representa o Memorial Minas Vale, em uma visão lateral que produz uma perspectiva com dois ponto de fuga. O desenho, feito com lápis 2B e 4B e a traços rápidos, apresenta uma visão simplificada que abarca os principais elementos do primeiro andar, com duas janelas e as portas do edifício, formando uma composição que não tem o objetivo de mostrar o aspecto do edifício como um todo, apenas sugerindo seu prolongamento para a esquerda, com uma janela incompleta, e para a direita, onde estaria o fim da escada e, como a intuição nos faz cogitar, a presença de mais janelas como as apresentadas, para criar uma simetria no edificio. Usando dessa escolha de enquadramento, a autora pôde representar uma parte relativamente pequena do prédio e, no entanto, sugerir, pela apresentação dos elementos principais do andar térreo da fachada (a escada, as janelas com formas semicirculares na parte superior e as portas) completar mentalmente as partes que faltam (não temos informações que nos levem a pensar, por exemplo, que haja uma outra porta do lado esquerdo, o que corresponde à realidade). O segundo andar também é sugerido, por meio, principalmente, do desenho de uma sacada e da base de portas, que vai nos fazer pensar no prolongamento de portas apenas insinuadas pela representação.
Por outro lado, o principal problema apresentado pelo desenho é a questão da perspectiva, pos a representação ocorreu com uma nítida mudança de orientação das linhas da face ocidental do prédio na posição correspondente à linha vertical projetada a partir da quina do último andar da escadaria, levando à uma percepção inverossímil de que o plano em que se encontram as duas janelas e o que estão contidas as portas são distintos, enquanto, na verdade, não estão, o que é ratificado, principalmente, pelo detalhe das quinas dos últimos dois degraus da escada, que são representados como completamente soltos da parede das janelas, traçada, em sua parte inferior, por acabamento em placas irregulares de pedra. 
Isso nos leva algumas deduções sobre a forma como a autora produziu seu desenho. Ao que parece, a primeira ideia foi de começar pelo elemento mais importante de fachada, as portas, vistas sob uma posição de baixo para cima. Isso pode ser ratificado pelo desenho dos degraus, que não permitem visualizar a parte de cima, além de pelo fato de que a porta da direita, principalmente, encontra-se colada ao último degrau. Depois de finalizar essa visão, ela pode ter mudado de posição, provavelmente ao perceber que, se continuasse assim, não chegaria à "quina" do prédio e não teria mais como representar a linha do chão e nem o início do segundo piso, desse modo tomado um partido diferente para a representação da parte central e esquerda do desenho (plano da janela e parede lateral), decidindo desenhar esse espaço como se fosse visto de cima para baixo, o que permitira, por exemplo, a visão da parte superior do parapeito da sacada. Essa mudança de visão pode ter sido responsável por gerar o espaço, decorrente da existência de planos distintos, entre a parede da janela e a escadaria, espaço esse que, se existisse, só poderia ser visto de cima.




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